domingo, 2 de setembro de 2007

Pós-pancada.

Ok, em primeiro lugar, por favor, ouça Röyksopp comigo pra entrar na minha sintonia. Você pode até achar que tô prestes a cortar os pulsos, mas aqui dentro essa música tá servindo como agulha e linha. Tá ajudando a costurar um buraco profundo. Não só ela, claro. Existem coadjuvantes. Numa outra ocasião falarei deles.

Setembro sempre me traz uma sensação muito forte de que tudo vai melhorar. Beto Guedes sente isso também: "Quando entrar setembro e a boa-nova andar nos campos... blablablá". Mas chega de blablabla. Vim libertar os vira-latas sarnentos que estão presos aqui dentro. CHEGA.

É. Tem que ser assim, já que aquela desorientação agora deu lugar a uma espécie de ódio não-alimentado. É como aqueles sentimentos que surgem sem você esperar e você acaba simpatizando com eles.

Mais ou menos como, depois de recobrar os sentidos, lá no meio da multidão (onde você desmaiou . lembra?), você perceber que, na verdade, alguém provocou o teu desmaio te dando uma pancada sem tamanho na cabeça.

Sensação de traição. Rejeição, perda. LUTO.

Nunca tinha sentido ódio em toda a minha vida. Sei que não é lá o mais nobre dos sentimentos, mas não há outra coisa pra se sentir, até porque não consigo controlar o que penso ou sinto. Não há mais amor, não há mais dor, não há mágoa. Ficou apenas um resquício de arrependimento por tanto tempo desperdiçado e um alívio cuja classificação fica entre 'fantástico' e 'espetacular'. Ainda não discerni.

Eu tenho um jeito bem didático e metafórico de expressar meus sentimentos. Vou te contar uma historinha, amigo leitor. Imagine uma dor de dente. Agora imagine A DOR DE DENTE. Ok.

E então, você chega no consultório odontológico se borrando de medo, angústia e dor. Certo. Aí você senta na cadeira e aguarda a anestesia cheio de esperanças e extremamente ansioso, afinal de contas, nada pode ser pior do que aquela dor e aquela angústia dos infernos. Maravilha. Logo mais, o doutor enfia um alicate monstrengo na tua boca, puxa daqui e de lá e arranca com toda a força do mundo aquele pequeno pedaço de osso podre da tua gengiva. E então você pensa: Uau, tô livre daquela merda de dor.

É isso. Tô livre daquela merda de dor. E daquela porcaria de dente, também.

No lugar dele, vai ficar um buraco que logo será substituído por um dente mais bonito e que provamente não me dará trabalho algum, já que a experiência daquela dor me fez entender que não há nada melhor do que um dente novo. Aquele era meu dente favorito, mas agora, além de asco, passei a sentir alegria por vê-lo bem longe da minha boca, o que também acaba por me deixar surpresa, uma vez que pensei que jamais conseguiria me sentir bem sem ele. E eu poderei morrer feliz, daqui a 77 anos, pois sei que aquela dor (pelo menos naquele dente infeliz) não vai aparecer de novo.

Sabe qual é o nome disso? ALÍVIO. O nome disso é alívio.

E é assim que funciona com relacionamentos cujo saldo final é negativo. Você o arranca da tua vida e joga fora. Pelo menos eu acho que é isso que fazem com um dente que não serve mais pra nada. Lixo.

A cada dia que se passa, eu fico mais surpresa, orgulhosa e besta comigo. Nunca imaginei, nem em tempos mais remotos e difíceis, que conseguiria ter nojo de alguém a quem amei tão profundamente. Quando isso evoluir pra "total desprezo", então saberei que a cura chegou. Não é fácil lidar com a primeira e VERDADEIRA decepção amorosa.

E vamos embora. Dia 15 está por vir. Meu último ano na casa dos 20 merece uma abertura apoteótica. Espero conseguir um dente novo até lá.

About...

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Brasília, Brazil
Thatiana Ribeiro, 29 anos, 15 de setembro, 1978. Trancou o curso de comunicação social por absoluta falta de verba. É apaixonada por boa leitura, boa música e boa comida, embora seja uma pessoa extremamente simples. Solteira e independente, tem uma filha e é louca por ela. Um de seus grandes objetivos é conhecer a Inglaterra e Espanha (de onde vem boa parte de suas raízes). Já começou até a juntar moedas num porquinho cor-de-rosa, pra bancar a empreitada. Curiosa, boca-suja, sarcástica, ciumenta, agridoce, companheira, afetuosa, franca, sensível e tagarela. Adora falar mal da própria vida. :-)

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