sexta-feira, 27 de abril de 2007

UM

(post editado por motivos de força maior)






Já posso ver
A porta se fechar
E posso ver
Você
Eu
Teus olhos
Os meus
Em mim
Assim
Não mais.

E o silêncio
Que fica
Ensurdece
Esvazia
E me carrega pro Ontem
Quando éramos UM.

Porque hoje não somos
Mais
O que fomos.
E porque hoje não temos mais
O que ser.

E algo se quebrou.
Partiu
Em cem cacos
O que antes era UM.

E apesar do

Entre nós
E entre os pós
Dos mil cacos
Eu ainda posso ver
A porta que se fechou
Levando você
E o medo
Mas deixando a história
A memória
As dores
E as cores
De todos os amores
Que a gente fez.

Juntos
Eternos
Você
Em mim
Não mais.

E o Ontem
Me deixa de Presente
Algo que Amanhã
Eu ainda possa usar
Pra não mais ver
Algo como Nós
Se quebrar.


sexta-feira, 20 de abril de 2007

Coisando...

Gosto

LUNA
Pessoas
Lençol limpo
Respeito
Cerveja gelada
Risada da Luna
Batata Frita
Festa
Elogio
Mãe
Omelete
Banho quente
Toquinho
Cheiro da Luna
Caldo verde
Chuva
Guevara
MÚSICA
Guitarras
Guitarristas
Anos 60
Anos 70
Anos 80
Anos 90
Ontem
Hoje
Amanhã
Cafuné
Minas Gerais
HH
Rir
Sexo
English
Família
Rock
Almofada
Cantar
Sudoku
Pizza fria
Vitamina
Bolsa
Faculdade
Boteco da faculdade
Bebuns da faculdade
Mostarda
Olhos
Ônibus vazio
Carro cheio
Pontualidade
Pés descalços
Abraço
Carne moída
Diversidade
Fotografias
Monografias
Ecografias
Biografias
Clarice
Calabresa
Perfume
Plástico bolha
Dobradinha
Jornal
Revoluções
Hanna Barbera
Controle remoto
Maquiagem
Voz da Luna
Aniversário
Cidadão Kane
Videoclipe
Tropicália
Ler
Frio

Azeitona
Palavras cruzadas
TVE
Dormir
Mudar
Acordar
Samba
Emagrecer
LZ
O novo
O velho
Dançar
Saudade
Lembrar
Água
Respirar
Bijoux
Salto Alto
ADSL
Beijo
Voz
Camisola
Caneta Bic
Trio Parada Dura
Silvio Santos
Reciclar
Djavan
MST
Ovomaltine
Xadrez
Setembro
Churrasco
Comida de pobre
Viagem
PF
Drummond
Canetinha
Photoshop
Jeans
SuperBonder
Pão quente
Espanha
Da Vinci
Bicho
e-mail
Filosofia
Baralho
Linux
Dinheiro
Educar
Reaprender
e-Commerce
Tom Zé
Bocejar
London
Fio dental
Cruzeiro
Escola de Frankfurt
Amarula
Coragem
Fiu-fiu
Danoninho
Gente
Naturalmente
Elegante.


Não gosto

Miojo
Feiúra
Música ruim
Brigas
Frescura
Grosseria
Patricinha
Esperar
Não
Calor
Clodovil
Pipoca
Engordar
Barbie
Funk
Chocolate branco
Boleto
Congresso Nacional
Crueldade
Desperdício
Aquecimento global
Igreja
Bíblia
Guerra
Brigadeiro
Covardia
Fofoca
Cochicho
Pimenta
Primo chato
Pepino
Doce com sal
Dial-Up
Serasa
Abdominal
Ressaca
Isso aqui
Violência
Hatzinger
Menstruar
Não menstruar
Hipocrisia
Inveja
Balança
Vergonha
Trabalhar
Dívida
Domingo
Vomitar
Descaso
Falta de educação
PSDB
Galvão Bueno
Imprensa marrom
Cicarelli
Cigarro
Desculpas esfarrapadas
Desleixo
Buarque
Björk
Racismo
Bush
Animes
Ofensa gratuita
Cinismo
Burrice
PRP
Exploração
Arrogância
Beatles
Gente nojenta
Sentir pena
Hitler
Rótulos
Hello Kitty
Serginho Groisman
Traição
Bicho judiado
Repressão
Fila
Adeus
Abuso
Cólica
Reacionarismo
Manga
Ar condicionado
Arroz queimado
Coalhada
Jackie Chan
Lerdeza
Cubo mágico
Deputado
Marola
EMOs
Gema mole
Cinema
Sujeira
Sogra
Lamentações
Carolina Dieckmann
MTV
Gente negativa
Pitty
Efusões
Correntes
Telemarketing
Pessoas à venda
Despertador
Integralismo
Hostilidade
Fome
Exploração
Emulsão Scott
Ser a primeira
Ser a última
Não ser
Esquecer
Não esquecer
Unha encravada
Aeroporto
Medo
Glacê
Gente oca
Doce muito doce
Fedor
Ausência
Celulite
Gerundismo
Coisa mal-feita
Aveia
Distância
Playboyzada
Jaca
Prisão de ventre
Manoel Carlos
Goteira
Dieta
Gripe
Moralismo
Não ter um iPod.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Maternalismum Pieguisticus

O Lunês.

E eis que chego do trabalho morrrta de saudade da minha Pequena -- isso acontece todos os dias. Cato-a de dentro do cercadinho e, com um ar de quem quer ter um longo e produtivo diálogo, inicio:

- Filhaaaa... Como foi seu dia, meu amor??
- Ajubuzungiduuuffff, mããã...
- Foi meeesmo, bebê? O que mais aconteceu?
- Xubulunguidjubalelê.. pokilunditchiiii!!
- Ahhh, foooi? Calaaaaamba!
- Ha Ha Ha! Tzzzz.. Bilugunjum paticabô!
- E vc papou tudinho?
- A pá i pê pukidifaciiiii jubulungadê!
- Hmmmm... Que lindaaa!
- Pukê, pukê... tchuki tchu..
- Vem cá.. deixa mamãe dar um cheeeeeiro em voxêeee!
- Mããã.. bêzu!

Olha, o idioma do amor é universal. Aqui dentro eu entendo tudo o que ela fala, apontando com aquele dedinho pras coisas e pras pessoas, enquando a baba escorre pelo queixinho redondo.

E eu fico de cá, admirando, completamente arrebatada por aquele serzinho tão pequeno e tão importante, que eu fiz. Desde criança sempre acreditei que, se uma pessoa consegue fazer gente, ela consegue fazer qualquer outra coisa.

Eu consigo fazer qualquer coisa.

Sempre que tenho algum problema ou me sinto desmotivada, busco na memória a primeira manhã que passei com ela. Era um domingo e eu estava ainda internada. Dia quatro de dezembro, por volta das nove da manhã. A enfermeira a levara pro banho matinal e eu aproveitei pra descansar. Estava realmente exausta. Ainda agora era manhã de sábado, café com leite, banho, contrações, bolsa estourando, dores homéricas, hospital, peridural, bisturi, LUNA. Até então, não tivera tempo pra deixar a ficha cair, me situar -- ei, ela nasceu! Entre visitas e mamadas ultradolorosas, aquele foi o primeiro momento de absoluta solitude que tive, nos então últimos 9 meses (e 14 dias!).

Dentro de uns vinte minutos, vejo o bercinho transparente adentrando a porta, com uma Coisinha Pequena de olhos bem pretinhos procurando por mim. Ela esticava a cabecinha pra cima, a fim de captar minha imagem e, naquele espaço mínúsculo de tempo, pude entender o que estava acontecendo. Aquele fora o acontecimento mais importante de toooda a minha curta existência. Eu e ela. Um laço eterno, um vínculo que não acaba nunca. Foi exatamente ali que eu entendi pra que serve o tal do amor.

É lógico que juntei a fome com a vontade de comer. Eu, que sou uma dessas crianças-chorosas inveteradas, desagüei, emocionada, ali mesmo. A enfermeira me olhava angustiada, achando que eu chorava de dor ou de tristeza. Mas era de alegria, de gratidão, essas coisas. Eu mesmo ainda não consigo explicar quais eram os sentimentos naquele emaranhado todo.

Foi um grande baque que fez minhas antigas convicções cairem por terra. Eu, logo eu, que nunca acreditara nesses surtos pós-maternidade que a maioria esmagadora das mulheres passa a ter depois que engravidam. Os tais instintos e intuições maternos eram produtos de uma realidade distante demais da minha. Conceber, gerar, parir e criar, antes da Luna, eram apenas verbos infinitivos usuais, como quaisquer outros que eu via no Aurélio.

E depois de toda essa lição que recebi sobre 'não duvidar do quanto uma mulher é capaz de amar', estou certa de que, na minha festinha de cem anos, em 2078, me lembrarei com riqueza de detalhes do dia em que compreendi que o sentido da minha alma tinha olhinhos-de-jabuticaba. E sorria pra mim. ;-)



quinta-feira, 12 de abril de 2007

E não é que existe explicação?

O retorno de Saturno - 28 anos
Márcia Mattos - Astróloga

Entre os 28 e 30 anos de idade, ocorre o primeiro retorno de Saturno, ou seja, o planeta em trânsito se posicionará no mesmo local em que ele estava no momento de nascimento da pessoa e iniciará uma nova volta em torno do zodíaco.

Novamente, como em todo trânsito de Saturno, ocorre um doloroso rito de passagem, envolvendo responsabilidades, desta vez maiores do que nunca. A partir deste período, muitas coisas que antes eram parte de uma gama de opções se tornam definitivas. É o momento de determinar o que vai dar impulso aos próximos 28 anos e tudo o que é decidido tem sua repercussão e conseqüência.

Este período representa também o fechamento sobre todo o passado de dependência familiar, uma liberação final de tudo que ligava às servidões da infância e da adolescência, uma aquisição definitiva de autonomia. É o ponto final do caminho de relaxamento de responsabilidades dos pais sobre os filhos.

Aos 28 anos, as pessoas começam a se preparar para inverter os papéis. Nesta época, surge a necessidade crescente de se fundar um lar, ter filhos, educá-los e progredir profissionalmente. É a chegada definitiva da certeza da sua responsabilidade em relação aos outros, em que se procura gerar confiança em que os cerca e se começa a pensar seriamente no futuro. É o primeiro contato com a sensação de que o tempo passa e que a velhice não tarda a chegar, por isso a intensificação das cobranças internas. Não é mais tempo para ilusões e sim para definições.

Nesta época, as pessoas começam a adquirir um senso de responsabilidade não apenas para si próprios, mas também para aqueles que o cercam. Começa-se a perceber que as suas decisões terão influência na vida daqueles que amam. Agora, e cada vez mais, são os pais que passam a ser seus dependentes, o que aguça o sentido de cumprir sem falhas a sua missão, que é uma tarefa solitária e de extrema importância para toda a família. Mas, ao mesmo tempo, Saturno que é sempre associado a processos de diferenciação, individualização e separatividade, leva os indivíduos a procurarem dar a seus filhos uma educação diferente da que receberam.

Paradoxalmente, com a nova aproximação dos pais, as pessoas se deparam tomando decisões surpreendentemente parecidas às deles.

Nessa época, as pessoas que ainda não se definiram na vida passam a se sentir muito angustiadas, porque o fantasma do fracasso começa a ameaçar. Freqüentemente, aos 28 anos as pessoas retomam os estudos, procuram caminhos profissionais definitivos e não mais bicos e trabalhos esporádicos. A crise provocada por Saturno sempre é complicada, já que mexe com assuntos como o tempo e a idade, fracasso, frustração ou sucesso. Todos estes aspectos são muito angustiantes porque abalam a auto estima de cada um.

O ciclo dos 28 anos de Saturno é completado quando se pode tomar nas mãos com segurança as rédeas e o controle da própria existência. Desligar-se do passado para apenas conservar dele as bases mais sólidas sobre as quais deve ser projetado e construído o futuro.


***

Sempre é tempo de observar: questõezinhas existencialistas associadas a respostinhas esotéricas são a minha cara!

Não que eu acredite que tudo possa ou deva ser explicado com mapas astrais, i-ching, fengchui ou incensos fedidos. Muito ao contrário! Mas também não posso ser tão incrédula ao ponto defender idéia de que toooda essa galáxia tenha verdadeiramente surgido de uma bactéria infeliz e todos os planetas e estrelinhas estão ali só enfeitando o cenário, como grandes bolas de isopor pintadas com tinta guache.

É óbvio que isso não significa que você, serzinho ultramegahiperracional, também tenha que acreditar que uma Virginiana com ascendente em Escorpião e lua em Peixes seja uma pessoa difícil, metódica, teimosa, sensível, ciumenta, perscrutadora e temperamental. Principalmente com esse tal de "Retorno de Saturno" (parece que ele potencializou tudo o que existe de bom e de ruim em mim). Mas seria uma atitude extremamente sábia. Sério.

Onde você procura as tuas respostas? Em livros? Sim, pra algumas questões só eles têm a solução. Mas em grande parte das situações, é interessante procurar outros canais de busca. O processo é longo, dura uma vida inteira. Eu, francamente, não estou convencida de que Nietzche, Kant, Kierkgaard, Platão, Freud ou Engels possam me dar todas as respostas pras coisas que eu busco. Até porque, cada pessoa nesse mundo é única e sua história de vida também.

Foram quase quatro anos sem escrever nenhuma linha. E, olha que grande surpresa: quase nada mudou. Tudo o que eu vivi, li e aprendi durante todo esse tempo só serviu pra me tornar uma pessoa ainda mais questionadora. E eu acho que a tendência é essa aí: mais anos, menos respostas. Tem gente que acha um barato poder aprender com as experiências dos outros. Não é o meu caso. Se fosse assim, me contentaria com os livros. A vida, em sua essência mais pura, vai muito além disso.


Mas não pense você que a astrologia ou o esoterismo solucionam alguma coisa. É só mais um canal de busca. Acredita quem quer. Ou quem precisa. :-)

terça-feira, 10 de abril de 2007

Verborragia Patológica



















E aí me pediram pra definir o show do tal cara do Pink Floyd -- como é mesmo o nome dele? -- em uma só palavra. E, sabe, eu gosto de caprichar nessas coisas. Palavra é comigo mesmo.

Eu defini como "pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico".

Este é o maior verbete da língua portuguesa. Maior até que "nãoexistiushowmelhornestagaláxia" ou que "carambaquefoiissoquepassouporaqui?".

- Nooossa, você não sabe como o show foi pneumoultramicroscopicossilicovulcaniconiótico.
- Foi o quê?!
- Pneumoultramicroscopicossilicovulcaniconiótico.
- Ahn.

É, só uma forma singela de expressar o quão grandioso o espetáculo foi. Tudo conspirou a favor pra ser uma noite feliz, luminosa, sei lá. É desses momentos que a gente guarda no baú-das-lembranças-legais-pra-caramba, ao lado do primeiro beijo, do Bozo, do Playmobyl e das bolotas de Leite Ninho.

Canções são as chaves pra abrir esse baú.

- A senha, por favor.
- ♪ "I'm only humaaan, of flesh and blood, I'm ma-ade... Huuuman.. Born to make mistaaakes..."

E, num passe de mágica, estou eu em 1986, plantando bananeira debaixo do meu prédio -- suja feito um moleque --, com minha melhor amiga, que partiu há seis anos.

Eu tenho uma relação espiritual extremamente intensa com a música. É uma forma livre e muito minha de interagir com o mundo, com as pessoas, com o passado.

Tem gente que prefere cheiros, rostos, toques, sabores. Eu gosto de sons.

Barulhos bons como os que o Roger Waters fez em São Paulo, pra eu guardar naqueeele lugar especial.

- A senha, por favor.

(Texto originalmente publicado em 04 de Abril de 2007, às 19h34.)

Apresentação?

Aos vinte e oito a gente se dá conta de uma pancada de coisas esquisitas.

Por exemplo, a gente descobre que o 'conselho' é um mecanismo de coação absolutamente eficiente e aparentemente despretensioso que os amigos usam quando querem que você faça coisas que acredita serem desnecessárias. Ou finge acreditar.

E acaba reconhecendo, também, que seguir esses conselhos de vez em quando não te transforma num perfeito babaca. Muito ao contrario, te faz entender que você quase nunca tem razão em tudo o que pensa. Embora, é óbvio, tenha direito que fazer o que acha melhor da própria vida. Inclusive voltar ou não a escrever em um blog.

E foi por isso que voltei.

Aos vinte e oito, dizem muitos (ou todos) especialistas, o homem entra no mais espetacular e importante processo de auto revelação de toooda a sua vida besta. E se percebe cheio de grilos, criando e aprimorando especulações absurdas sobre o que passou e o que virá. O bicho-homem tem mesmo essa mania horrorosa e incurável de querer controlar o que não pode. Talvez o pústula do Einstein pudesse, mas ele parou de funcionar, babando, antes da 1.245ª tentativa.

É a fase das grandes e geniais teorias-sobre-coisa-alguma e dos infindáveis porquês. Se você achava que dizia muitos porquês aos cinco anos, espere chegar aos vinte e oito. Ou se lembre de quando os tinha, se for o caso.

O nome do blog dispensa apresentações. Já quanto a mim, muito prazer.

Se bem que você já me conhece. ;-)


(Texto originalmente publicado em 30 de Março de 2007, às 12h41)

About...

Minha foto
Brasília, Brazil
Thatiana Ribeiro, 29 anos, 15 de setembro, 1978. Trancou o curso de comunicação social por absoluta falta de verba. É apaixonada por boa leitura, boa música e boa comida, embora seja uma pessoa extremamente simples. Solteira e independente, tem uma filha e é louca por ela. Um de seus grandes objetivos é conhecer a Inglaterra e Espanha (de onde vem boa parte de suas raízes). Já começou até a juntar moedas num porquinho cor-de-rosa, pra bancar a empreitada. Curiosa, boca-suja, sarcástica, ciumenta, agridoce, companheira, afetuosa, franca, sensível e tagarela. Adora falar mal da própria vida. :-)

Avise-me quando houver um novo post!

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