Em dois meses a vida deu uma guinada. Uma guinada neutra. Nem positiva, nem negativa.
Não que as coisas ainda estejam como estavam naquela ocasião, mas a real é que eu andei, andei e acabei parando no mesmo lugar.
Talvez, mais tarde, essas andanças se tranformem em bonus extras ou em life, na hora do último soco antes do game over. Mas a real é essa.. pelo menos por hora, sinto como se tivesse caminhado em círculos no meio da selva, totalmente perdida e sem um toco sequer de direção.
Eu não sei porque ainda teimo em me apaixonar. Sempre dá errado. Devo ser uma dessas criaturas que nasceram pra viver sozinhas e ficam se forçando a interagir com pessoas que nasceram pra casar, mandar flores e fazer gente.
A mistura desses dois tipos de seres resulta em algo que quase nunca acaba bem. Perdemos tanto tempo sentindo dor, que não há mais vida. Não que a minha filha seja motivo pra arrependimentos, mas a situação que foi forçada em decorrência da chegada dela, talvez tenha desestruturado a minha essência. Eu não sei mais o que quero ser.
Olha, você pode até não saber o que quer, provavelmente não sabe quem é, mas tem obrigação de saber o que quer ser. Quando se perde esse tipo de referência, perde-se o rumo, a direção. É como se a bússola do meu subconsciente tivesse sido estraçalhada em bilhões de pedaços impossíveis de serem colados de novo.
Perdi meu ponto de equilíbrio. E a única referência que me restou foi a minha filha. Quem diria. Mas acredito que guiar a própria mãe seja uma tarefa dura demais pra uma criança de menos de dois anos. Injusta, até.
É isso. Os últimos dois meses me serviram pra descobrir o que é "perder-me de mim". E a sensação é das piores possíveis. Tipo como acordar de um desmaio no meio de uma multidão de desconhecidos. Posso sintetizar como algo desesperador.
Mas recomeçar é só mais um passo.
Ter amnésia deve ser uma delícia, numa hora dessas.

