E aí me pediram pra definir o show do tal cara do Pink Floyd -- como é mesmo o nome dele? -- em uma só palavra. E, sabe, eu gosto de caprichar nessas coisas. Palavra é comigo mesmo.
Eu defini como "pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico".
Este é o maior verbete da língua portuguesa. Maior até que "nãoexistiushowmelhornestagaláxia" ou que "carambaquefoiissoquepassouporaqui?".
- Nooossa, você não sabe como o show foi pneumoultramicroscopicossilicovulcaniconiótico.
- Foi o quê?!
- Pneumoultramicroscopicossilicovulcaniconiótico.
- Ahn.
É, só uma forma singela de expressar o quão grandioso o espetáculo foi. Tudo conspirou a favor pra ser uma noite feliz, luminosa, sei lá. É desses momentos que a gente guarda no baú-das-lembranças-legais-pra-caramba, ao lado do primeiro beijo, do Bozo, do Playmobyl e das bolotas de Leite Ninho.
Canções são as chaves pra abrir esse baú.
- A senha, por favor.
- ♪ "I'm only humaaan, of flesh and blood, I'm ma-ade... Huuuman.. Born to make mistaaakes..." ♪
E, num passe de mágica, estou eu em 1986, plantando bananeira debaixo do meu prédio -- suja feito um moleque --, com minha melhor amiga, que partiu há seis anos.
Eu tenho uma relação espiritual extremamente intensa com a música. É uma forma livre e muito minha de interagir com o mundo, com as pessoas, com o passado.
Tem gente que prefere cheiros, rostos, toques, sabores. Eu gosto de sons.
Barulhos bons como os que o Roger Waters fez em São Paulo, pra eu guardar naqueeele lugar especial.
- A senha, por favor.
(Texto originalmente publicado em 04 de Abril de 2007, às 19h34.)

